Há noites em que o futebol se recusa a ser justo. Em Montilivi, na noite de sexta-feira de 1 de maio, o Girona dominou, tentou e insistiu — e acabou derrotado por uma única visita certeira à baliza de Paulo Gazzaniga. O Mallorca, com a pragmática eficiência que tem caracterizado a sua temporada, construiu uma muralha defensiva, esperou o momento certo e, aos 43 minutos, deixou Vedat Muriqi fazer o que melhor sabe: finalizar.
O domínio territorial dos catalães foi inegável. Com 58% de posse e 14 remates no total, o Girona pressionou durante largos períodos, mas esbarrou sistematicamente numa defesa de Mallorca organizada e disciplinada. Leo Román — o guarda-redes visitante — foi o homem da noite, realizando quatro defesas determinantes para preservar a vantagem conquistada antes do intervalo. Do lado contrário, Gazzaniga só foi chamado a intervir verdadeiramente em quatro ocasiões, o que explica tudo sobre a natureza cautelosa do jogo do Mallorca.
Muriqi foi letal. Um único remate enquadrado, um único golo. É isso que separa as equipas que sobrevivem das que apenas jogam.
Fran Beltran e Axel Witsel tentaram dar ritmo ao jogo na zona central, enquanto Viktor Tsygankov e Azzedine Ounahi procuravam espaços nas costas da defesa mallorquina. Claudio Echeverri, o jovem médio argentino, foi o elemento mais criativo mas sem conseguir a assistência definitiva. Bryan Gil entrou na segunda parte para injetar velocidade pela esquerda, sem sucesso.
Para o Mallorca, Sergi Darder foi o metronome do meio-campo, controlando o ritmo e interrompendo as jogadas dos anfitriões. Pablo Torre — cedido pelo Barcelona — mostrou boa técnica e fez a ligação entre o meio e o ataque. Muriqi, com a sua imponência física, foi um pesadelo constante para a defesa do Girona, conseguindo o golo decisivo aos 43 minutos após sair da marcação de Vitor Reis.
Na tabela classificativa, o resultado cria uma situação paradoxal: ambas as equipas terminam a jornada com 38 pontos, separadas apenas pelo critério de desempate. O Girona permanece no 16.º lugar, com a permanência ainda matematicamente por garantir, enquanto o Mallorca sobe ao 15.º. As três jornadas restantes — incluindo uma deslocação ao Rayo Vallecano e receção à Real Sociedad — serão decisivas para os de Montilivi. O cenário é claro: ganhar ou olhar ansiosamente para baixo da tabela.
